Liberte-se destes Pensamentos

Tem sido cada vez mais frequentemente as pessoas chegarem ao meu consultório com o seu diagnóstico: “estou sofrendo de ansiedade?” 

E completam, “fico o tempo todo ruminando os mesmos pensamentos”… “fico triste, sem vontade de fazer nada, não vejo graça nas coisas ….. me sinto mal, com falta de ar e então o coração começa a acelerar…” 

É possível perceber um pedido de ajuda nos seus olhos parecendo dizer – “Pára tudo que eu quero descer! Me tira daqui!”

Existem inúmeras técnicas que podem ajudar a enfrentar o que está gerando a ansiedade,  auxiliando a reconhecer os estímulos que são os gatilhos capazes de desencadear este ciclo de estresse. 

É possível, sim, resgatar o prazer de viver, de fazer as coisas e de comandar seus próprios pensamentos, vivendo em harmonia e de forma leve.

Mas vamos entender como este ciclo inicia?

Basicamente, ruminar épensar sobre alguma situação indefinidamente. 

É quando sua mente se agarra a um problema e fica grudada sobre ele, sem nenhum propósito ou benefício real. 

Estes pensamentos são como ‘chicletes’ que grudam em sua mente. 

Ruminar é exaustivo, estressante, uma perda de tempo e de recursos mentais. 

 

Mas, mesmo identificando estes pensamentos, você não consegue se livrar deles.

A maioria dos pensamentos ruminantes é sobre coisas problemáticas, negativas ou perturbadoras. 

Ruminar nada mais é do que seu cérebro planejador e solucionador de problemas apenas tentando fazer seu trabalho, mas você está levando essas habilidades executivas ao extremo quando rumina. 

As pessoas costumam passar horas ruminando sobre a mesma coisa, sem nenhum resultado produtivo.

O cérebro tenta instintivamente resolver um problema, dar sentido a algo, mudar uma realidade que você não está pronto para aceitar ou enfrentar. Na verdade está fazendo você se sentir pior e não realizando nada de útil.

O seu cérebro e corpo respondem aos seus pensamentos. 

O que você pensa determina o seu comportamento. Mesmo, e na maioria das vezes, que este pensamento seja subconsciente.

Ele traz uma emoção passada ou futura (que você imagina que possa vir a acontecer) para o seu presente e sujeita seu corpo a ela continuamente.

Quando você está ruminando uma situação, você mantém seu cérebro e seu corpo respondendo como se o evento – a situação incômoda – estivesse acontecendo naquele momento. 

Foi cientificamente comprovado que apenas pensar em algo faz com que o seu cérebro libere neurotransmissores, mensageiros químicos que permitem que ele se comunique com seu sistema nervoso. 

Os neurotransmissores controlam praticamente todas as funções do corpo, desde os hormônios até a digestão e a sensação de felicidade, tristeza ou estresse. 

Os pensamentos que passam pela sua cabeça mudam até mesmo suas células e seus genes. 

Se você não consegue parar de reviver uma cena angustiante que viveu, você acha que os produtos neuroquímicos que seu cérebro está liberando continuamente estão ajudando ou prejudicando você física e emocionalmente?

Se você fica se lembrando de que não pode pagar a dívida do cartão novamente neste mês, se não para de reviver uma cena angustiante de separação ou repete mentiras pessoais que gravou em sua infância, você acha que seu cérebro está produzindo substâncias neuroquímicas que o ajudam a ficar calmo e racional? 

Certamente não.

Enfrente seus pensamentos

A ciência confirma que as pessoas que passam muito tempo ruminando pensamentos têm muito mais probabilidade de desenvolver problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade.

Uma pesquisa realizada no Reino Unido apontou a ruminação de pensamentos como o maior indicador de ansiedade e depressão (clique aqui para conferir)

Sim eventualmente você precisa deixar sua mente meditar sobre experiências desafiadoras e desagradáveis. 

É como você aprende e cresce emocionalmente e apresenta soluções e ideias. 

Mas existe um ponto de equilíbrio entre analisar os problemas e se envolver em uma ruminação prejudicial. 

Analisar uma situação é explorar algo construtivamente de uma forma que gere novos padrões de pensamento, novos comportamentos ou novas possibilidades. 

Ruminar é apenas remexer em velhas coisas emocionais e mergulhar ainda mais em uma mentalidade negativa. 


Rick Hanson, autor de  Buddha’s Brain: The Practical Neuroscience of Happiness, Love, and Wisdom esclarece sobre a diferença: 

“Para mim, a principal diferença é se o processo de reflexão é produtivo. 

Ao analisar uma situação é produtivo, a ruminação não: é repetitiva, negativista e frequentemente autoflagelante – e, portanto, um importante fator de risco para ansiedade e depressão. ”

Quando ruminamos pensamentos ficamos  “presos” a padrões negativos de repetir as mágoas do passado, sem avançar em direção a soluções ou sentimentos de resolução. 

A melhor maneira de refletir sobre as circunstâncias difíceis sem ficar preso no ciclo emocional da ruminação é uma habilidade chamada “auto distanciamento”. 

É analisar a situação de uma perspectiva diferente, você dá um passo para trás e vê a si mesmo e as circunstâncias objetivamente. Como se estivesse “vendo de fora”, com os olhos de outra pessoa.

Por sinal costumo usar um exercício muito bom para isso, ativamos o córtex cerebral, área das funções executivas, nos apropriando de pensamentos de outras pessoas.

Pesquisas evidenciam que quando as pessoas se distanciam ao discutir assuntos desafiadores, elas entendem melhor suas reações, experimentam menos sofrimento emocional e exibem menos sinais fisiológicos de estresse. 

Experimentos revelaram que as pessoas reduziram a reatividade ao se lembrar dos mesmos eventos problemáticos posteriormente. 

Eles também eram menos propensos a se envolver em pensamentos ruminantes. (clique e confira a pesquisa)

 

Liberte-se deste ciclo de ruminação

 

Esta técnica traz ainda outros benefícios psicológicos, como  uma redução de pensamentos e comportamentos agressivos e sentimentos de raiva, a capacidade de gerenciar melhor os conflitos de relacionamento.

Veja algumas maneiras que você pode praticar auto distanciamento diante de eventos negativos:

*Crie um observador:

Imagine uma pessoa que você admira e se questione: o que Fulano Faria nesta situação?

*Evite usar o pronome “eu”:

Use os pronomes de terceira pessoa – ele, ela, ao conversar consigo mesmo sobre a situação. Essa simples mudança na linguagem pode ser uma forma útil de auto distanciamento. 

*Escreva sobre isso:

Crie uma narrativa significativa que o ajude a “dar um passo para trás” e dar sentido a um evento negativo. Escrever também é uma ótima forma de se distanciar com mais eficácia. 

*Concentre-se no seu futuro eu:

Pergunte a si mesmo: “Como eu me sentiria sobre isso daqui a uma semana ou daqui a dez anos?” Essa forma de viagem mental no tempo é eficaz porque desvia sua atenção de circunstâncias imediatas e concretas. 

 

 

 

Sua Nova História - por Juliana Zen

Fruto de um longo trabalho no mundo corporativo, Sua Nova História é um estímulo ao profissional para ir em busca do autoconhecimento como ferramenta de crescimento.

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