Síndrome de Asperger. Como lidar?

A síndrome de Asperger é um estado do espectro Autista, porém com maior adaptação funcional. As crianças com essa condição podem ter maior dificuldade com as interações sociais e, ao mesmo tempo, ter interesse em saber tudo sobre tópicos específicos. Tem poucos amigos e evitam a socialização, por outro lado falam com profundidade sobre as descobertas de Leonardo da Vinci, por exemplo. 

É um transtorno do espectro do Autismo, um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por deficiências sociais, interação e comunicação e a presença de interesses restritos e comportamentos repetitivos.

As crianças que possuem Asperger veem, ouvem e sentem o mundo de forma diferente. Não é uma doença e, portanto, não pode ser “curada”, é preciso entender e conviver com estas diferenças e fazer o melhor uso das habilidades. 

O quadro de autismo e síndrome de Asperger tem similaridades nos quesitos de diagnóstico. A diferença está basicamente em que, na síndrome de Asperger, a memória é privilegiada e os aspectos cognitivos e da linguagem não apresentam atraso.

Este transtorno neurológico  pode ser de origem genética hereditária, mas isso  ainda não teve suas causas esclarecidas pelos pesquisadores. Um estudo publicado pelo Jama Psychiatry  https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/fullarticle/2737582 no último dia 17 de julho (2019) confirmou que 97% a 99% dos casos de autismo têm causa genética, sendo 81% hereditário.


Elas geralmente têm interesse obsessivo em um assunto específico, dificuldade em compreender as nuances de interação social, bem como as emoções de si próprias e dos outros, pensamento rígido e metódico, com a presença de comportamentos repetitivos e ritualísticos, além de sensibilidade sensorial excessiva a estímulos tais como sons, roupas ou alimentos, por exemplo.” (CAMARGOS, Walter Jr., 2013)
 

A síndrome de Asperger  reduz  interesses, direcionando a capacidade intelectual para assuntos específicos, além de reduzir a expressão social, o que faz com que as pessoas no entorno do portador de Asperger tenham mais dificuldade em perceber o seu alcance intelectual, que tende a se fechar para os assuntos que não despertem sua motivação, muitas vezes não aprendendo o que querem lhe ensinar, e sim somente o que deseja aprender.

O diagnóstico da Síndrome de Asperger é realizado através de uma Avaliação Neuropsicológica. Um Neuropsicólogo é o profissional mais qualificado para efetuar esta avaliação. 

Normalmente as crianças são encaminhadas por pediatras ou neurologistas, profissionais estes que têm a prerrogativa do diagnostico, com base na avaliação neuropsicológica. 

 



No caso de crianças, a habilidade comunicativa, que é um forte indicador do desenvolvimento e processamento cognitivo, em especial quanto à sintaxe e qualidade do vocabulário utilizado, tende a ser bastante desenvolvida e até mesmo sofisticada em relação ao esperado para a  idade, sendo um fator de mais fácil observação.

Tendem a ser hipersensíveis a quaisquer sugestão ou crítica, embora, ao mesmo tempo, sejam muito críticas em relação aos outros, incluindo professores, pais e figuras de autoridade. 

 Um acompanhamento escolar diferenciado e terapia comportamental podem ajudar crianças  com síndrome de Asperger e  familiares a aprenderem a conviver melhor com este transtorno. Algumas ações que podem ser implementadas:

 

Expandir Interesses: É comum terem interesse restrito a um ou dois assuntos em particular. Não tente forçar o interesse por novos assuntos. Solicite que a criança lhe ensine sobre o tema de seu interesse e aproveite o interesse dela no assunto para abrir margem para outras áreas. Por exemplo, ela tem interesse restrito sobre carros. Tente ampliar o assunto para estradas pelo mundo ou industrias automotivas. 

Ao expandir seus interesses, você estará ajudando não só no âmbito educacional, mas também a ela ser capaz de falar sobre assuntos variados em suas relações sociais, ampliando-as e tornando-as mais positivas.

 

– Socialização: A socialização é muito prejudicada nesta síndrome. Normalmente  não demonstram interesse em ouvir sobre outras coisas que as pessoas desejem falar, a não ser sobre os assuntos de seus interesses restritos. É necessário um treinamento e acompanhamento para ajudá-la a socializar-se com outros no grupo. Procurar crianças que tenham interesses ou estilos similares e encorajar esses relacionamentos é a melhor forma de ajudar. 



 – Coordenação Motora:  Normalmente são fisicamente descoordenadas ou menos ágeis, além de possuir sensibilidades sensoriais que dificultem o contato físico nos contextos de esportes e atividades coletivas. Uma boa alternativa seria participar de esportes individuais ou parcialmente coletivos, como caminhadas, ciclismo, crossfit  ou natação.

 

– Criatividade: O processo mental  tende a ser mais concreto e literal, não são muito imaginativas e não apresentam muito interesse em ficção. Elas tendem a ser criativas de outras formas, como, por exemplo, descobrindo alternativas para abordar um assunto científico ou o funcionamento de alguma coisa. É importante explorar estas alternativas.

 

– Foco: a velocidade de processamento mental pode ser menor do que a média esperada, assim quando estão envolvidas e engajadas em uma tarefa ou atividade, tendem a ter maior dificuldade em alternar o foco para outra coisa. Quando estão nesta situação é importante fazer a transição de atividade de forma mais lenta, com um aviso antecipado de que isso irá ocorrer. “Quando você finalizar esta tarefa nós iremos fazer um passeio no parque”. 

 

 

 

 

 

– Escrita: As crianças com Asperger possuem um amplo vocabulário e expõe suas ideias num tom quase profissional, mas geralmente possuem dificuldade em se expressar por escrito, quer seja porque sua mente não obtêm o controle suficiente para ordenar os pensamentos para que possam ser passados para o papel, quer seja por apresentarem alguma dificuldade com coordenação motora fina, o que não raro produz uma caligrafia ruim. Aplicativos de smart phones, tablets e laptops devem ser um ótimo  auxílio nesses casos.

 

Sem ajuda, essas crianças são geralmente mal interpretadas e isoladas. Os adultos que as auxiliam devem poder traduzir o mundo para elas e elas para o mundo. Elas têm talentos especiais e necessidades especiais. Com apoio cuidadoso, elas podem aprender as estratégias necessárias para se conectarem às outras pessoas e se tornarem membros que ofereçam sua contribuição à sociedade. E o mais importante, elas podem ser felizes sendo quem são.
(Marie Hartwell-Walker)

Sua Nova História - por Juliana Zen

Fruto de um longo trabalho no mundo corporativo, Sua Nova História é um estímulo ao profissional para ir em busca do autoconhecimento como ferramenta de crescimento.

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